Encontro-te no Metro

December 13, 2007

Na última sexta-feira o Metro do Porto comemorou o seu quinto aniversário, e integrado nas festividades encontrou-se o projecto Encontro-te no Metro. Ora aqui o vosso repórter favorito foi entrevistar Dulce Daniel, do 1º ano de Mestrado em Design da Imagem, uma das autoras do registo fotográfico.

Podias-nos explicar brevemente em que consiste o Encontro-te no Metro?

Bem, o projecto foi inicialmente incluído num convite à Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto pela Metro do Porto em que os alunos tinham de apresentar projectos para a comemoração do 5º aniversario do metro. Assim, apresentámos este projecto, que tinha como base dar a voz aos utilizadores e deixar que estes pudessem exprimir os seus sentimentos e desejos. Isto porque no fundo são eles o elemento fundamental destes 5 anos.

Então existiu algum sistema de selecção?

Sim, só no meu mestrado julgo que foram 15 propostas e de toda a faculdade cerca de 100. Penso que apenas 2 foram selecionados.

Podias então contar-nos como surgiu a ideia?

No início a dificuldade foi escolher o trabalho. Tivemos várias ideias e tivemos que optar, mas todas elas procuravam focar as pessoas, os utentes e de alguma forma permitir que fossem eles o elemento chave de ligação. Escolhemos este por ser o mais viável em termos de realização, face ao escasso tempo disponível. Inicialmente queriamos criar um desdobrável com vários textos (que os utilizadores poderiam escolher) para serem fotografados e também uma area onde pudessem escrever a sua própria mensagem. Mas existia um problema. As pessoas têm pouco tempo. Quando estão no metro, nas suas deslocações, não têm muita paciência. Por isso tinha de ser algo mais simples. Assim criámos uma listagem de mensagens, imprimimos o texto em folhas A4 e com uma pequena apresentávamos a listagem aos utentes, eles escolhiam e nós fotografávamos. Assim tornou-se muito mais fácil para todos!

O que me leva a perguntar como era constituído o grupo, e como se organizaram?

Somos 6 pessoas: a Alda, a Mécia, a Marta, a Joana, a Sónia e eu. Numa primeira fase, tivemos de criar as frases. Cada uma dava ideias para conseguirmos uma lista abrangente. Depois dividiamo-nos em grupos de 2 ou 3 para ir tirar fotos (tínhamos várias copias das frases). Fotografámos durante 3 dias! Os grupos de 2 funcionaram bem porque uma de nós ficava com as folhas e a outra fotografava. Depois de termos as fotos todas tivemos que dividir tarefas porque o trabalho ia ser apresentado em 3 formatos (um site, mural em vinil e vídeo para a tv do metro). Assim, nos dias que se seguiram dividimos o trabalho entre nós para conseguir ter tudo pronto. Estivemos até a fazer um site próprio, mas a Metro do Porto sugeriu algo como um blog e eu lembrei-me logo do flickr!

Qual foi a fotografia que mais te marcou? E porquê?

Essa é difícil! Tenho várias, por várias razões, mas vou tentar escolher uma... Eu adoro esta! Acho que se não tivessem as frases conseguíamos perceber na mesma.

Já agora, não tiveram receio que os patrões vissem as fotos dos seus empregados com a frase “Odeio o meu emprego”?

Tivemos algum, mas acho que quando uma pessoa decide assumir assim que não gosta do trabalho, o patrão por aquela altura também já deve desconfiar, não é?

Já agora, qual a tua relação com o Metro?

Eu sou suspeita em tudo o que toca ao metro, porque o adoro simplesmente! Todo o conceito, o funcionamento e principalemente a forma como revolucionou, da melhor forma possível, a vida das pessoas no Porto. Ele funciona muito bem. Não é um eléctrico como muitos gostam de frisar, é um metro misto, de superfície e subterrâneo, que cobre grande parte das necessidades das pessoas aqui. ainda estamos à espera que a rede aumente mas para já é muito bom!

Para terminar, queres acrescentar alguma coisa?

Só talvez que a Metro do Porto esteve sempre muito pronta a ajudar, e adoraram o trabalho (ainda bem para nós)!
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O Backstage do Palco Principal

November 19, 2007

Há uns tempos conheci o Pedro Trindade e queria fazer-lhe uma carrada de perguntas, e aproveitei para fazer uma entrevista, não que me ache um jornalista, mas porque acho que as respostas seriam interessantes para outras pessoas.

O Pedro é o responsável pela tecnologia e desenvolvimento do Palco Principal, do qual já aqui falei, e tirou o curso de engenharia electrotécnica e de computadores ao mesmo tempo que trabalha como freelancer. Teve ainda uma pequena passagem pelas telecomunicações da EDP, antes de se dedicar a full-time no Palco Principal.

Conta-nos um pouco da tua entrada no Palco Principal e do estado em que estava.

Fui um dos fundadores do Palco Principal. Comecei a trabalhar no desenvolvimento do Palco Principal quando este era ainda Homestudio. Para quem não conhece, o Homestudio era um serviço de divulgação de bandas independentes, criado em 2000, que permitia às bandas o upload de uma foto, escrever uma apresentação, colocar músicas para download, comentários, etc.. A ideia era migrar o Homestudio para uma plataforma moderna e torná-lo numa aplicação “web2.0”.

No início do projecto, tomaram em consideração o sucesso que poderia alcançar, ou foram fazendo à medida? E têm tido dificuldades em escalar, agora que o número de utilizadores já passa os 13000?

Sim, nós perdemos algum tempo a tentar escolher uma plataforma de maneira que fosse fácil no futuro escalar a aplicação. Escolhemos a Framework de PHP Symfony que pela sua arquitectura nos permite muita flexibilidade. Neste momento o Palco Principal ainda “cabe” numa única máquina, mas o limite está prestes a ser atingido…

A quem está agora a começar o seu projecto para a web, o que aconselhas a avaliar na escolha da plataforma ou tecnologia?

Existe sempre muita discussão quando se fala em plataformas e tecnologias. Penso que a escolha deve depender dos recursos e conhecimentos disponíveis para cada caso. Neste momento as plataformas mais conhecidas estão praticamente ao mesmo nível. Dito isto, quero dizer que na minha opinião pessoal, se eu tenho classes PHP disponíveis para praticamente todos os problemas, se é relativamente fácil encontrar developers para PHP e se tenho disponível uma framework poderosa como o Symfony, parece-me óbvia a decisão a tomar.

O facto de ser centrado numa comunidade, em que pontos tem ajudado no crescimento do Palco, e em que momentos tem dificultado o mesmo?

A comunidade tem-nos permitido crescer pela força da divulgação “boca-a-boca”, ainda não foi feito qualquer investimento em publicidade. O facto do sistema se centrar no utilizador, fazendo valer a opinião e tendências da maioria, pode ser benéfico, no entanto, essa auto-regulação pode não funcionar de forma eficaz com universos (ainda) pequenos como o nosso, em que a comunidade regular (com mais de 4 visitas semanais) anda à volta de 26000 pessoas. Pequenos desvios nos comportamentos habituais dos utilizadores fazem-se sentir bastante e podem ter alguns efeitos indesejados. A ideia é complementar o sistema com mecanismos de regulação automática, apoiados de forma indirecta por variáveis que meçam o comportamento dos utilizadores.

A nível de relação com empresas, têm sentido que ser uma empresa centrada numa comunidade vos tem dificultado em alguma medida?

Na minha opinião acho que as empresas estão, lentamente, a começar a aperceber-se do potencial destes novos mercados e modelos de negócio.

Tenho notado que o Palco Principal está em constante evolução. Poderias partilhar connosco onde vais buscar as ideias para as novas features? Ou têm algum plano traçado a médio prazo?

Sim, existe um plano a médio prazo, claro que não é nada rígido, se nos aparece uma ideia que achamos que teria interesse implementar rapidamente, interrompemos o plano. Tentamos estar atentos ao melhor que está a ser feito no Mundo e tirar daí ideias.

Já agora, como te mantens actualizado sobre o mundo da tecnologia que se movimenta à velocidade da luz?

Bem, eu “perco” cerca de uma hora por dia no Google Reader. Devo ter mais de 100 feeds subscritas (incluindo a tua), penso que é a melhor maneira, se não a única, de nos mantermos ao corrente do que se passa.

Para terminar, como vês o futuro do palco principal no dia a dia dos portugueses daqui a 1 ano?

É difícil falar nisso sem revelar planos futuros. Seguramente um Palco Principal menos centrado no seu site, explorando alternativas que permitam uma melhor divulgação dos projectos musicais...
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